Demanda por cursos de filosofia e ciências sociais despenca no país
Demanda por cursos de filosofia e ciências sociais despenca no país
Motivos incluem fim da obrigatoriedade das matérias no ensino médio e estereótipo negativo de humanas
ada vez menos gente tem interesse em cursar ciências sociais e filosofia no Brasil. O total de ingressantes nesses dois cursos cai desde o RUF (Ranking Universitário Folha) de 2014.
De acordo com especialistas, esse cenário pode ser explicado por uma mudança no perfil dos universitários, pela disseminação na sociedade de uma opinião negativa sobre as carreiras e pela reforma do ensino médio, que tirou a obrigatoriedade do estudo dessas áreas por todos os alunos.
“O novo estudante vem de uma família com menos recursos e tem uma expectativa mais pragmática em relação à graduação. Quer um diploma que lhe permita disputar espaço no mercado de trabalho”, afirma Elizabeth Balbachevsky, professora do departamento de ciência política da USP.
Ela lembra que as áreas nunca tiveram um perfil profissional muito bem definido, à exceção de um período durante o qual as carreiras se beneficiaram de uma expectativa de formação de professores, já que aulas dessas disciplinas foram obrigatórias no ensino médio entre 2009 e 2017.
Coordenador do curso de ciências sociais na Unicamp, Frederico Almeida concorda com a hipótese de Balbachevsky. Segundo ele, as licenciaturas sempre foram cursos que atraíram alunos mais pobres, e a democratização do ensino superior pode ter aberto a possibilidade para que esses estudantes buscassem outros caminhos.
Cerca de 60% dos alunos de ciências sociais na universidade optam por cursar a licenciatura. Parte dos 40% restantes, que só querem fazer o bacharelado, acaba voltando à faculdade para concluir as disciplinas necessárias e sair também com o diploma que permite dar aulas.
Almeida aponta, então, para a recente reforma do ensino médio como possível responsável pela diminuição de interesse dos graduandos por ciências sociais, embora essa queda na demanda ainda não seja observada especificamente na Unicamp.
“A reforma diminuiu o espaço da sociologia e da filosofia no ensino médio. Isso acaba afetando as possibilidades profissionais de quem quer fazer os cursos. A gente tem alunos já matriculados refazendo seus planos e migrando de graduação —então estamos de olho nessa tendência de redução”, afirma.
Já para o ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, que é formado em filosofia, as áreas têm sofrido um ataque nos últimos anos.
“Não só o governo atual, mas o anterior também desprezava essas carreiras. Elas são estereotipadas. Há uma campanha para que as pessoas pensem que não são cursos sérios, que são ideológicos. Com isso, fica difícil que sejam valorizados pelos ingressantes”, afirma ele.
Como resultado da queda de procura, os cursos de filosofia e ciências sociais não foram avaliados nesta edição do RUF. Nenhum dos dois ficou entre as 40 carreiras com mais ingressantes, que é o critério para aparecer na lista desde 2014. Neste ano, a base foi o Censo do Ensino Superior de 2017.
É a primeira vez, desde 2014, que as duas graduações ficam de fora do ranking simultaneamente. Filosofia não havia aparecido na lista nas edições de 2015 e 2016; ciências sociais não havia entrado em 2017 e 2018.
A queda percentual no número de ingressantes da edição do RUF de 2014 para a de 2019 foi de 47% em ciências sociais (de 9.826 para 5.169 alunos) e 20% em filosofia (de 6.469 para 5.174 estudantes).
https://ruf.folha.uol.com.br/2019/noticias/demanda-por-cursos-de-filosofia-e-ciencias-sociais-despenca-no-pais.shtml
Motivos incluem fim da obrigatoriedade das matérias no ensino médio e estereótipo negativo de humanas
ada vez menos gente tem interesse em cursar ciências sociais e filosofia no Brasil. O total de ingressantes nesses dois cursos cai desde o RUF (Ranking Universitário Folha) de 2014.
De acordo com especialistas, esse cenário pode ser explicado por uma mudança no perfil dos universitários, pela disseminação na sociedade de uma opinião negativa sobre as carreiras e pela reforma do ensino médio, que tirou a obrigatoriedade do estudo dessas áreas por todos os alunos.
“O novo estudante vem de uma família com menos recursos e tem uma expectativa mais pragmática em relação à graduação. Quer um diploma que lhe permita disputar espaço no mercado de trabalho”, afirma Elizabeth Balbachevsky, professora do departamento de ciência política da USP.
Ela lembra que as áreas nunca tiveram um perfil profissional muito bem definido, à exceção de um período durante o qual as carreiras se beneficiaram de uma expectativa de formação de professores, já que aulas dessas disciplinas foram obrigatórias no ensino médio entre 2009 e 2017.
Coordenador do curso de ciências sociais na Unicamp, Frederico Almeida concorda com a hipótese de Balbachevsky. Segundo ele, as licenciaturas sempre foram cursos que atraíram alunos mais pobres, e a democratização do ensino superior pode ter aberto a possibilidade para que esses estudantes buscassem outros caminhos.
Cerca de 60% dos alunos de ciências sociais na universidade optam por cursar a licenciatura. Parte dos 40% restantes, que só querem fazer o bacharelado, acaba voltando à faculdade para concluir as disciplinas necessárias e sair também com o diploma que permite dar aulas.
Almeida aponta, então, para a recente reforma do ensino médio como possível responsável pela diminuição de interesse dos graduandos por ciências sociais, embora essa queda na demanda ainda não seja observada especificamente na Unicamp.
“A reforma diminuiu o espaço da sociologia e da filosofia no ensino médio. Isso acaba afetando as possibilidades profissionais de quem quer fazer os cursos. A gente tem alunos já matriculados refazendo seus planos e migrando de graduação —então estamos de olho nessa tendência de redução”, afirma.
Já para o ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, que é formado em filosofia, as áreas têm sofrido um ataque nos últimos anos.
“Não só o governo atual, mas o anterior também desprezava essas carreiras. Elas são estereotipadas. Há uma campanha para que as pessoas pensem que não são cursos sérios, que são ideológicos. Com isso, fica difícil que sejam valorizados pelos ingressantes”, afirma ele.
Como resultado da queda de procura, os cursos de filosofia e ciências sociais não foram avaliados nesta edição do RUF. Nenhum dos dois ficou entre as 40 carreiras com mais ingressantes, que é o critério para aparecer na lista desde 2014. Neste ano, a base foi o Censo do Ensino Superior de 2017.
É a primeira vez, desde 2014, que as duas graduações ficam de fora do ranking simultaneamente. Filosofia não havia aparecido na lista nas edições de 2015 e 2016; ciências sociais não havia entrado em 2017 e 2018.
A queda percentual no número de ingressantes da edição do RUF de 2014 para a de 2019 foi de 47% em ciências sociais (de 9.826 para 5.169 alunos) e 20% em filosofia (de 6.469 para 5.174 estudantes).
https://ruf.folha.uol.com.br/2019/noticias/demanda-por-cursos-de-filosofia-e-ciencias-sociais-despenca-no-pais.shtml
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Comentários
É gozação, minha cara. Ufologia, Astrologia e Teologia dispensam comentário. Ao dizer que Parapsicologia é uma cultura absolutamente inútil, estou prestando uma homenagem ao querido Padre Quemedo, recentemente falecido, e que prestou grandes serviços na divulgação do Espiritismo. Mas nisso a Parapsicologia não ajuda muito, porque seus crentes expulsaram os espíritos do seu campo de pesquisa. A causa dos ditos fenômenos parapsicológico é "resolvida" com o uso de termos sonoros, bombásticos e retumbantes, mas que não explicam nada. É o inconsciente quevediano, a percepção extra sensorial, a força psi, etc e tal. Coisas as quais nem têm seu mecanismo explicado e querem que sejam suficientes para explicar os fenômenos...
Só há um problema com essa charge, os melhores cursos para ser eletricista tanto no ensino médio quanto no Senai não são pagos pelo aluno.
Também, só seus problemas são importantes. Assim, não estranho as vossas respostas de fraca visão da realidade.
Alguns ainda conseguem pensar o tema adequadamenentre, diferenciado doutrina politica e da filosofia como fonte de conhecimento, deixando claro que é a doutrina que rejeitam e não a Filosofia. Estes mostram sensatez.
O futuro de pessoas de visão limitada é serem governadas por aqueles de visão alargada. Pois, os melhores e mais sensatos não rejeitam aquela que é a profissão do futuro num mundo dominado pela inteligência artificial.
As pessoas querem algo que seja utilizavel em seu dia a dia.
Conimento não prático tende a ser esquecido mesmo.
As coisas que eu escuto
Felizmente, o mundo não é desse modo...
Mas é, deixemos os blá blá blás especulativos para estudiosos especialistas no mundo que vivem mais a visão de mundo deles que a realidade em si e que AINDA são sustentados pelos pais ou recebem benesses estatais por alinhamento ideológico para pessoas como você.
Bela descrição da criação de conteúdo pós moderno.