Estive em Cuba durante 14 dias, de 5 a 18 de agosto. Durante este tempo, fiquei hospedado em casas de cubanos. Visitei as cidades de Havana, Varadero, Pinar del Rio, Santa Clara e Trindade. Todas no lada ocidental da ilha. Conversei bastante com os cubanos e fiz muitos contatos. Portanto, deu para ter uma ideia melhor sobre a sociedade, a política e a economia de lá.
Do meu ponto de vista, Cuba tem o seu lado positivo e o seu lado negativo. Falarei brevemente o que considerei negativo e o que considerei positivo na estrutura social.
PONTOS NEGATIVOS
O maior ponto negativo é o baixo salário dos cubanos. Isto limita bastante oseu poder de consumo. Por ganharem pouco e terem poucas perspectivas de progressão na carreira, a produtivadade dos trabalhadores é baixa, quando comparada a do Brasil. A ambição é essencial na vida humana e este elemento é limitado por lá.
Ao fazer compras em Cuba sempre percebia uma demora no atendimento, incomum no Brasil. O que achei mais absurdo foi ver em alguns minimercados as pessoas fazerem filas do lado de fora para comprar os produtos na porta. Eu peguei algumas dessas filas.. Não existe nos mercados públicos a preocupação de atender bem o cliente.
Pedi a alguns cubanos, com quem tive mais contato, que deixassem eu gravar vídeos deles falando da política de Cuba. Nenhum deles aceitou fazer uma entrevista gravada. O que mostra que ainda existe uma certa falta de liberdade de expressão na ilha.
Há também muitos pontos positivos e muitas lições bonitas que Cuba tem a ensinar para o mundo. Eles podem ser um fracasso em tudo o que envolve comercio exterior e iniciativas individuais, mas são um sucesso em tudo o que envolve iniciativas coletivas. No final, a população de lá pode não viver tão bem quanto os ricos e os classe média do Brasil, mas pelo menos vivem melhor do que os pobres daqui.
Andando pelas ruas de Havana, não se vê propaganda de consumo. Vê-se propagandas de incentivo ao esporte a ao nacionalismo.
A expectativa de vida em Cuba é uma das mais altas do mundo. Basta visitar as casas dos cubanos para encontrar idosos com mais de 90 anos de idade.
A atenção à infância é muito forte em Cuba. Nenhuma criança está fora a escola. Elas possuem segurança para brincar nas ruas até altas horas da noite. Há muitos parque em Havana voltados para a recreação infantil. Fora as muitas atividades esportivas presentes nas muitas quadras esportivas da cidade.
Não existem ladrões em Cuba. Isto é maravilhoso para um turista que pode até dormir na rua, se quiser, que não será roubado.
CONCLUSÃO
Para mim, visitar Cuba foi uma experiência de vida. Pude ver a vida em sociedade de um outro ponto de vista. Sem os apelos ao consumismo, sem os condicionamentos que nos levam ao egoísmo e ao individualismo. Muita coisa lá é diferente e isto faz de Cuba um lugar especial.
Cuba não é uma sociedade igualitária. Existe uma grande diferença de renda entre os que trabalham para o Estado e os que trabalham com o turismo. Uns viajam para o exterior frequentemente. Outros só conhecem Cuba.
Percebi que a desigualdade é como a temperatura. Quem vive em lugares muito quentes quer sentir frio e quem vive em lugares muito frios quer sentir calor. Como no Brasil, temos muita desigualdade social, há aqui o desejo por mais igualdade. O problema é que uma sociedade muito igualitária gera acomodação nas pessoas. Um pouco de desigualdade é aceitável, mas ela não pode ser grande, sob pena de fragilizar a coesão social.
Cuba segue uma alternativa economica ao modelo hegemônico. Por ser uma alternativa, povos de outros países podem comparar o que existe em Cuba com o que existe em seus países e adotar as iniciativas cubanas se preciso. Portanto, Cuba é uma ameaça ao modelo hegemônico. Por isto Cuba é sabotada de diversas formas no comercio internacional. Além de ser difamada pela imprensa financiada pelo grande capital.
De 1959 até 1989, a economia da ilha funcionou muito bem. A sociedade era totalmente igualitária e todos tinham tudo e até acesso ao supérfluo. Pois havia o bloco socialista que dava apoio comercial, científico e tecnológico para Cuba. Devido a queda do muro de Berlim, Cuba passou muitos maus bocados na década de 90. Eles precisaram diversificar rapidamente sua economia, pois ficaram isolados do mundo devido ao embargo dos EUA.
Com a chegada de Hugo Chávez ao poder na Venezuela, Cuba ganha um importante parceiro comercial. A Venezuela contribui decisivamente para a melhoria da economia cubana que vem crescendo ano a ano. Mudanças tem sido feitas em Cuba para adaptar o país aos novos desafios tecnológicos. Entretanto estas mudanças não irão comprometer o modelo socialista adotado na ilha. Ele será penas aperfeiçoado. Pois a população não quer perder os direitos conquistados.
Em Cuba não se vê nenhum cartaz ou outdoor mandando você consumir algo. Ao invés disto existe muita propaganda incentivando as pessoas a praticarem esportes e a serem patriotas. Este outdoor da foto abaixo é ao mesmo tempo um incentivo ao nacionalismo e um incentivo à prática da dança. Nele está escrito: "A revolução é invencível".
A cidade de Havana é cheia de estádios e quadras de esportes. Há até uma parte da cidade chamada cidade desportiva, só dedicada a estas construções. Não é a toa que Cuba sempre fica entre os primeiros colocados nas olimpíadas. Lá o investimento em esportes é muito grande. Os jovens são muito incentivados às praticas esportivas.
Cuba segue uma alternativa economica ao modelo hegemônico. Por ser uma alternativa, povos de outros países podem comparar o que existe em Cuba com o que existe em seus países e adotar as iniciativas cubanas se preciso.
Falta de opção não é "alternativa", ainda mais quando imposta por uma ditadura.
De 1959 até 1989, a economia da ilha funcionou muito bem. A sociedade era totalmente igualitária e todos tinham tudo e até acesso ao supérfluo. Pois havia o bloco socialista que dava apoio comercial, científico e tecnológico para Cuba.
Exatamente. Uma situação artificial sustentada pela URSS.
Com a chegada de Hugo Chávez ao poder na Venezuela, Cuba ganha um importante parceiro comercial. A Venezuela contribui decisivamente para a melhoria da economia cubana que vem crescendo ano a ano.
Claudio disse: A cidade de Havana é cheia de estádios e quadras de esportes. Há até uma parte da cidade chamada cidade desportiva, só dedicada a estas construções. Não é a toa que Cuba sempre fica entre os primeiros colocados nas olimpíadas. Lá o investimento em esportes é muito grande. Os jovens são muito incentivados às praticas esportivas.
Incentivar os esportes é uma velha tática das ditaduras.
No caso de Cuba, parou de funcionar faz tempo. Basta ver o desempenho nas olimpíadas mais recentes.
Pedi a alguns cubanos, com quem tive mais contato, que deixassem eu gravar vídeos deles falando da política de Cuba. Nenhum deles aceitou fazer uma entrevista gravada. O que mostra que ainda existe uma certa falta de liberdade de expressão na ilha.
Tudo lindo e maravilhoso, só não podem reclamar nem dizer o que pensam senão vão presos.
O nome disto é ditadura.
O problema é que uma sociedade muito igualitária gera acomodação nas pessoas.
O problema é que essa igualdade é por baixo, já que não se permite que pessoas com talento e ambição se destaquem e fiquem ricas. Elas se igualam na mediocridade, já que não há estímulo para que alguém trabalhe mais.
Cuba segue uma alternativa economica ao modelo hegemônico. Por ser uma alternativa, povos de outros países podem comparar o que existe em Cuba com o que existe em seus países e adotar as iniciativas cubanas se preciso. Portanto, Cuba é uma ameaça ao modelo hegemônico.
Cuba é um exemplo para o mundo de que o socialismo não funciona.
Assim como a comparação entre as duas Coreias, as duas Alemanhas, as duas Chinas.
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Comentários
No caso de Cuba, parou de funcionar faz tempo. Basta ver o desempenho nas olimpíadas mais recentes.
Que valor terá o diploma dela quando voltar ao Brasil?
Onde houver fé, levarei a dúvida!
O nome disto é ditadura. O problema é que essa igualdade é por baixo, já que não se permite que pessoas com talento e ambição se destaquem e fiquem ricas. Elas se igualam na mediocridade, já que não há estímulo para que alguém trabalhe mais. Cuba é um exemplo para o mundo de que o socialismo não funciona.
Assim como a comparação entre as duas Coreias, as duas Alemanhas, as duas Chinas.